2011

Eduardo Parrucci

E mais um ano acabou, mais um ano começou. E nessa repetição de dias e meses a gente acaba, às vezes, não percebendo desses dias, sempre escritos de forma igual, tantas coisas que aconteceram diferentes, ou mesmo daquelas que de forma igual se repetiram, o quanto isso marcou de outra maneira. E nessa constante caminhada pelo calendário, algumas datas específicas se tornam especiais pra sempre, outras a gente prefere até esquecer, mas se fosse assim fácil, que graça teria?

Nessas lembranças do que foi, e do que é, seria impossível fazer um balanço real das coisas que ganhei, e das que perdi ou daquelas que não estão de um lado, nem do outro. As merdas que você faz e que sabe que não se repetirão, ou as outras que fez sabendo que foi bom, e que fará de novo. Nesses momentos de reflexão constante, sempre me pego pensando nas pessoas, nos amigos, na família, nos amores. Na falta que fazem e no buraco que deixam quando não tão próximos.

De alguns a saudade é tamanha que dói no peito, já com outros a presença ausente, que insisto dizer que existe é o bastante para encurtar as distâncias. Mas é mesmo assim todos os anos, alguns ficam mais próximos, enquanto outros se afastam seguindo suas próprias estradas. Não é uma queixa, longe disso, mas a vida tem dessas coisas de separar os caminhos das pessoas, só pra complicar ainda mais a falta que faz esses alguéns em nossos dias. E como amo essas pessoas, e como me fazem querer sempre mais delas, mesmo que nem sempre eu peça ou demonstre isso. Foi um ano de amizade nova e sensacional, e das amizades velhas que não me deixam esquecer o meu próprio chão, de onde saí, de onde fiquei e pra onde vou.

Tem aquela pessoa que é agora minha “wonderwall” e que insiste sempre em me dizer que não a trato tão bem assim, tem aquele que não fui ao aniversário, que todo ano presencio e, acho, deve ter ficado chateado, mas que sempre está nos meus pensamentos diários, que nunca esqueço, nunca. Têm as duas poetas de rua e cabeceira da cama, de momentos de conversas pra escrever livros, assim como aquele da única mesa de bar do ano, que rendeu uma noite inteira.

Há também, aquele único a me xingar e que cresceu tanto, era um bebê ainda ontem, e claro o que nem é família, mas que amor não falta nunca pra deixar que seja. O que foi morar longe, mas que sempre aparece nas férias, aquela que foi pra mais longe ainda, do outro lado do mundo, mas que deixou presença pra uma vida toda. Tem também o do sul, que desde que nos conhecemos, foi a primeira vez que me esqueci de dar os parabéns e o outro que apesar de perto, há tempos não ensaiamos conversas pra sorrir, aliás, acho que também me esqueci de ligar este ano para os parabéns.

Tem o que me leva pra sentir o vento em duas rodas, o que me faz tão bem, e o que ficou super forte e distante, mas qualquer hora aparece voando pra me levar em algum lugar. Tem aquele que aprendeu a beber e ser mais feliz, que mesmo distante tenho como em mim. Tem a da companhia nas manhãs de conhecimento, que antes eram noites, das brigas e das risadas infinitas que não me deixam nunca sem um braço, sem um nada, e aquela da distância necessária que falta faz, mas que na alegria do sorriso me deixa feliz também.

E claro, tem a família, aquela dos problemas do dia, das risadas da noite e do amor em vida.

E foi mais um ano, de ausência, de presença, de escolhas feitas e de coisas por fazer. De tantas alegrias, de algumas tristezas, de paixões passageiras e daquelas pra uma vida inteira. Foi um ano pra me desculpar pelas burradas, pelas mancadas, pelas coisas que não fiz e que agora faz falta, mesmo que ainda não tenha feito nada disso. Acima de tudo, foi um ano pra não se deixar perder, pra gravar num canto especial onde quer que fiquem guardadas as emoções, pra que fiquem lá, sempre. Um ano pra confessar à vida, porque o dia ainda é dia, mesmo que tenha me feito querer que os ponteiros do relógio corressem, só pra passar as tristezas. Confessar e se cansar, porque a noite ainda é noite e as horas que perdi na pressa que não contive, me fizeram deixar pra trás as pessoas que já tive, as vidas que não vivi e os amores que não esqueci.

Por fim, que ao menos a essas pessoas, que tanto prezo e que tanto quero bem, fique aqui marcado, nesse pedaço de sentimento recortado, o amor que guardo bem lacrado e que tanto me faz bem.

Uma vida feliz e completa, a todos nós !!!

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